Preço médio da gasolina sobe 9,16% em 2017 e fecha o ano a R$ 4,099

Valores deram salto em julho, com alta de tributos e nova política de reajustes nas refinarias.

Por Oeste em Foco 04/01/2018 - 11:02 hs
Foto: Reprodução

O valor médio da gasolina para o consumidor final subiu 9,16% em 2017, segundo levantamento divulgado na terça-feira (2) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na última semana de 2016, o combustível valia R$ 3,755.

Já na última semana do ano passado, o valor médio da gasolina nos postos do país chegou a R$ 4,099, contra R$ 4,089 na semana anterior, uma variação de 0,24%. Foi a nona alta seguida dos preços.

Na comparação entre capitais, Rio Branco fechou o ano com o maior preço médio da gasolina do Brasil, com R$ 4,771 por litro. Já São Luís tem o menor valor médio, R$ 3,597.

Preço médio da gasolina por capital

Município Preço médio (R$)

Rio Branco 4,771

Rio de Janeiro 4,533

Goiânia 4,472

Porto Alegre 4,372

Palmas 4,285

Florianópolis 4,214

Brasília 4,197

Fortaleza 4,162

Boa Vista 4,143

Aracaju 4,132

Cuiabá 4,125

Porto Velho 4,121

Belo Horizonte 4,087

Natal 4,086

Belém 4,034

Campo Grande 4,013

Curitiba 4,002

Vitória 3,969

Maceió 3,967

Macapá 3,957

Recife 3,917

Teresina 3,917

São Paulo 3,899

João Pessoa 3,884

Salvador 3,8

Manaus 3,658

São Luís 3,597

O preço do diesel subiu 9,01% em 2017, terminando o ano a R$ 3,326. Na última semana, o combustível ficou 0,24% mais caro.

Os aumentos estão bem acima da inflação esperada para o ano, que deve terminar 2017 em 2,78%, segundo as expectativas de mercado registradas pelo boletim Focus, do Banco Central.

Já o etanol subiu 2,39% no ano, fechando a última semana de 2017 com o preço médio de R$ 2,912 por litro, segundo a ANP.

De julho até o final de 2017, o preço médio da gasolina para o consumidor subiu 16,78%, segundo a ANP. A alta mais acentuada aconteceu em meio ao anúncio da nova metodologia de reajustes da Petrobras e da elevação do tributo sobre os combustíveis. Já o diesel ficou 12,44% mais caro desde a nova política de preços.

Com o novo formato da política de preços, adotado em 3 de julho, a Petrobras passou a fazer reajustes mais frequentes nos valores dos combustíveis nas refinarias, inclusive diariamente.

Desde o início da nova metodologia, a gasolina acumula alta de 30,03% nas refinarias e o diesel, valorização de 26,68%, segundo o Valor Online. O repasse ou não para o consumidor final depende dos postos.

Nesta quarta, a Petrobras anunciou reduções de 1,9% no preço do diesel e de 1,4% no preço da gasolina comercializados nas refinarias. Na terça-feira, foi anunciada alta de 0,6% no preço do diesel e recuo de 0,1% na gasolina.

Botijão de gás sobe mais de 20% no ano

Ainda de acordo com a ANP, o preço médio do botijão de gás de cozinha teve alta de 21,27% no ano (também bem acima da inflação de 2,78% esperada para o ano), passando de R$ 55,58 no fim de 2016 para R$ 67,41 na última semana de 2017. Na variação semanal, o gás de cozinha ficou 0,7% mais caro.

O que diz a Petrobras

Segundo a Petrobras, a periodicidade frequente dos reajustes "possibilita a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente com importadores".

Diante da alta de preços acumulada desde julho, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, já chegou a declarar que o principal fator para o aumento do preço da gasolina é o aumento de impostos. Em julho deste ano, o governo anunciou a elevação da tributação sobre os combustíveis, como uma das medidas para tentar reequilibrar as contas públicas. Foi elevada a alíquota de PIS e Cofins sobre os combustíveis.

Em resposta, a Petrobras disse que "é importante destacar que, na gasolina, por exemplo, apenas 29% do preço pago pelo consumidor final correspondem à parcela da Petrobras. Os demais 71% referiam-se a tributos, custo do etanol anidro e margens de distribuição e revenda - parcelas sobre as quais a Petrobras não tem gerência".

Outra consequência da nova política de preços da Petrobras doi o aumento das importações de combustíveis, que dispararam 25% no ano. Somente as compras externas de gasolina no acumulado em 2017 até novembro, cresceram 53,8% sobre o mesmo período do ano passado.

O setor se tornou fortemente importador em um mercado de distribuição dominado por empresas como Raízen, dos grupos Cosan e Shell; Ipiranga, da Ultrapar; e a própria BR Distribuidora, controlada pela Petrobras, líder no segmento que tem liberdade para comprar de outras companhias, se for mais lucrativo.

Fonte: G1