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Economia Baixa Procura

Pandemia e baixa procura: preço da carne volta à quase “normalidade” em SC

Após alta em dezembro por exportação para a China, preço da carne bovina voltou a cair desde abril; economista explica dinâmica dos valores

21/05/2020 00h42
Por: Maico Zanotelli Fonte: ND+
Anderson Coelho
Anderson Coelho

Com o preço despencando após seis meses, a carne bovina voltou a ser mais procurada por clientes em açougues e supermercados de Florianópolis. Antes em alta, em decorrência da demanda da China e abundante exportação, o preço do quilo – até mesmo dos cortes mais nobres – gradualmente voltou a diminuir, quase chegando à “normalidade”.

Conforme a economista Laura Pacheco, o país vive um “completo extremo” do que ocorria em dezembro do ano passado. Até recentemente, a carne bovina estava em alta pela situação da falta de carne na China. Com isso, o País importava muita carne do Brasil.

O Brasil exportava o produto em abundância, além da contribuição do dólar alto, que influencia para a preferência dos produtores pela exportação. Sendo assim, a carne acabou tendo um preço elevado porque a oferta dentro do país diminuiu.

Com a pandemia do novo coronavírus, foram barradas as relações comerciais internacionais. Além disso, há fatores como portos fechados, diminuição da circulação de pessoas e produtos em decorrência da situação do vírus. “Isso traz um impacto na questão da comercialização da carne”, explica a economista.

Influência do cenário externo

Com as relações comerciais internacionais suspensas, começa a aumentar a oferta da carne bovina dentro do país. Consequentemente, isto traz impactos positivos para o consumidor nos preços.

Outros ingredientes, como o fato de muitas pessoas terem ficado sem renda ou por muitos restaurantes terem fechados – ainda que momentaneamente -, fez também com que a demanda pelo produto reduzisse. “Até pelo fato da carne ser o item mais caro da cesta”, completa a economista.

“Quando acontece um período como esse [de pandemia], as pessoas começam a consumir cortes mais baratos, ou mesmo a carne de frango, que tem preço mais baixo. Os cortes mais nobres acabam tendo uma procura menor, fazendo com que o preço caia”, pontua Pacheco.

Entenda as mudanças ao longo dos meses:

- Dezembro: pouca carne para consumo interno (exportação para a China); alta no preço;

- Março/abril/maio: comércio internacional em baixa; baixa demanda interna; queda no preço do produto.

“O fato de ter um excesso de ofertas, ter mais produtos do que as pessoas estão comprando puxa o preço pra baixo”, conclui.

Pequenos açougues falam em “alívio”

A queda do preço da carne bovina foi motivo de alívio para os profissionais do Emporium e Açougue Aurino, no bairro Abraão, área continental de Florianópolis. O proprietário, Marcos Aurino dos Santos, afirmou que os preços diminuíram a partir de abril e estão chegando quase a “normalidade”.

Em dezembro do ano passado, a reportagem do nd+ foi até o local e registrou o aumento no preço das peças. À época, a alcatra passou de R$ 39,90 para R$ 47; a costela de R$ 22 para R$ 33,90; e o entrecot de R$ 49 para R$ 59,90.

Nesta terça-feira (19), em nova visita para comparar as etiquetas, a reportagem registrou os seguintes preços:

Alcatra (dezembro: R$ 47) – (maio: R$ 42,90) – queda de 8,73%

Costela (dezembro: R$ 39,90) – (maio: R$ 26,90) – queda de 32,59%

Entrecot (dezembro: R$ 59,90) – (maio: R$ 48,90) – queda de 18,37%

O local, que funciona como restaurante e açougue, precisou se adaptar durante a quarentena e passou a utilizar o delivery. “Hoje esse serviço corresponde a 40% do nosso faturamento”, afirma Aurino.

A influência da pandemia

Apesar da pandemia, o proprietário relata que o movimento aumentou nos últimos meses devido à baixa no preço dos cortes, tendo uma pequena queda no início de maio. O entrecot e o contra-filé seguem sendo as principais procuradas, seguidos pelos “cortes do dia-a-dia”, como coxão mole e patinho.

Já no Kretzer Conceito em Carnes, no bairro Coqueiros, os funcionários relataram que notaram a queda no preço a partir de fevereiro. “Os clientes comentam sobre os preços. É uma forma de alívio pra eles também, e, consequentemente, influencia no nosso movimento”, comenta Juliano Roberto Machado, que trabalha como caixa.

Ainda conforme Machado, o movimento, mais baixo devido a quarentena, começou a melhorar no início de maio. Além do atendimento presencial, o açougue trabalha com entregas dentro do próprio bairro.

Confira a queda de preços no local:

Picanha (dezembro: R$ 92,90) – (maio: 74,90) – queda de 19,4%

Entrecot (dezembro: R$ 59,90) – (maio: R$ 46,90) – queda de 21,7%

Maminha (dezembro: R$ 53,90) – (maio: R$ 42,90) – queda de 20,4%

Contrafilé (dezembro: 56,90) – (maio: 42,90) – queda de 24,6%

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