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Geral Prevenção

Agroindústrias de SC reforçam protocolos de prevenção ao coronavírus

Possível fechamento das plantas no Estado preocupa o setor; a BRF iniciou nesta quinta a testagem de todos os funcionários da unidade de Concórdia

23/05/2020 20h56 Atualizada há 4 dias
Por: Maico Zanotelli Fonte: ND+
Pedro Ladeira / Folhapress
Pedro Ladeira / Folhapress

Frigoríficos do Oeste de Santa Catarina estão diante de um novo inimigo: o novo coronavírus. O número de trabalhadores diagnosticados com a Covid-19 tem crescido nas plantas, que são obrigadas a endurecerem as medidas de prevenção.

Em Concórdia, por exemplo, os casos representam mais da metade das confirmações da doença na cidade. Por lá, a Vigilância Sanitária Estadual determinou, na última segunda-feira (18), que a BRF realize a testagem de coronavírus em todos os 4,8 mil colaboradores da planta. A medida é em resposta ao fato de que 144 deles já estavam contaminados pela Covid-19.

Fiscalizações recorrentes

Fiscalizações assim se tornaram recorrentes, de acordo com o MPT (Ministério Público do Trabalho) de Santa Catarina. Em Ipumirim, a planta da JBS foi fechada temporariamente, na segunda (18).

Fiscais notaram a ausência de distanciamento entre os funcionários na linha de produção. Também perceberam a falta de medidas de controle e vigilância para evitar a contaminação.

O presidente da ABPA (Associação Brasileira Proteína Animal), Francisco Turra, diz que o setor de aves, suínos e ovos entrou na pandemia preparado para enfrentar a “guerra”, com base no protocolo nacional de prevenção aos colaboradores das agroindústrias.

“Preparados para produzir e proteger o trabalhador. Em quase 30 dias, nenhum caso foi confirmado entre os 200 frigoríficos que trabalhamos, com 500 mil pessoas trabalhando”, afirmou, em entrevista ao Balanço Geral Oeste.

O protocolo nacional de prevenção nas agroindústrias foi fortalecido, segundo o presidente da ABPA, para evitar medidas mais drásticas nas plantas. “É um momento duro e grave, mas devemos ter responsabilidade de acompanhar para não fechar, pois, perde o trabalhador, o empregado, e ameaçamos o nosso próprio sustento”, enfatizou Francisco Turra.

Portaria do Estado 

A Secretaria de Saúde do Estado publicou, no dia 12 de maio, uma portaria com medidas de controle da doença no setor. Entre elas, está a medição de temperatura dos trabalhadores.

Também estão na lista a obrigatoriedade de uso de protetores faciais de material rígido junto com a máscara em áreas de umidade elevada, distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os trabalhadores, além do monitoramento dos funcionários para identificação precoce de sintomas.

Segundo a portaria, o trabalhador com resultado positivo ou sintomático leve deve manter isolamento domiciliar por, pelo menos, 14 dias, a contar do início do aparecimento dos sintomas. Em caso de teste negativo, a secretaria de Saúde determina que seja mantido o afastamento por 72 horas, período no qual o funcionário deve manter-se assintomático.

“Na ausência de realização de teste laboratorial, o trabalhador sintomático deve ser afastado por sete dias após o início dos sintomas, devendo ser reavaliado clinicamente no oitavo dia; se assintomático por mais de 72 horas poderá retornar ao trabalho; se sintomático, permanecer mais 7 dias afastado”, determina a portaria.

BRF adota medidas

A unidade frigorífica da BRF em Concórdia iniciou, nesta quinta-feira (21), a testagem para coronavírus de todos os 4,8 mil colaboradores da planta. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, a empresa deve afastar imediatamente 50% dos trabalhadores da unidade para que sejam submetidos aos testes, com acompanhamento de representantes da própria Vigilância Sanitária. 

“Os empregados que testarem positivo devem ficar em quarentena por 14 dias. Os casos positivos assintomáticos devem permanecer afastados por sete dias. Concluída essa etapa, os outros 50% dos empregados devem ser afastados e submetidos ao teste, nos mesmos moldes”, disse o MPT-SC. Os trabalhadores assintomáticos, com resultado negativo, poderão retornar ao trabalho.

O Ministério Público do Trabalho informou que a empresa apresentava 144 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus.

A empresa firmou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com o MPT sobre as medidas que devem ser adotadas para o controle da doença no período da pandemia. O inquérito civil está sob a responsabilidade do procurador do trabalho Anderson Luiz Corrêa da Silva.

Monitoramento está na rotina, diz empresa

Em nota, a agroindústria disse que o monitoramento da saúde dos profissionais “está na rotina da BRF desde as primeiras notícias sobre a Covid-19”. Salientou que, “uma série de medidas protetivas vem sendo adotada, inclusive com a aplicação de testes”.

Além de Concórdia, a BRF também enfrenta problemas com a doença em unidades do Rio Grande Sul, onde chegou a ter uma planta interditada em Lajeado com consequente abate emergencial de 100 mil aves.

Conforme a empresa, desde o início da pandemia, “a BRF já implementou diversas ações em todas as suas operações”. A nota também destaca que o setor de produção de alimentos é essencial e, por esse motivo, “empresa não poupa esforços para manter seu compromisso com a saúde e segurança dos colaboradores, da cadeia produtiva e com o abastecimento à população, trabalhando de forma colaborativa com as autoridades de saúde e os municípios onde está presente”.

O MPT ainda negocia com a empresa a adoção de novas medidas de controle para o retorno ao trabalho da totalidade dos empregados da unidade após a testagem.

Coronavírus nos frigoríficos

O presidente a ABPA afirmou que o aumento de casos de coronavírus em frigoríficos também discutido na reunião com o Ministério da Agricultura. Ainda no início da semana o assunto também foi pauta na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Uma reunião extraordinária realizada pela Comissão de Agricultura e Política Rural debateu a busca por um maior alinhamento com o Governador do Estado, Carlos Moisés (PSL) com as agroindústrias.

A pauta visa evitar que o chefe do estadual publique alguma portaria regulamentando o funcionamento de frigoríficos catarinenses durante a pandemia sem antes dialogar com o setor.

No encontro, deputados e lideranças do setor criticaram atuação da subsecretária de Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério da Economia, que interditou um frigorífico de aves em Ipumirim, devido a irregularidades na prevenção ao novo coronavírus, sem comunicar o governo estadual.

Durante mais de duas horas, lideranças do agronegócio catarinense alertaram os deputados da preocupação com os prejuízos econômico e social com a possibilidade de fechamento de unidades frigoríficas.

O presidente da comissão, deputado José Milton Scheffer (PP), fez um pronunciamento lembrando que as agroindústrias catarinenses seguem protocolos internacionais de sanidade animal e que fechamento de unidades só deve ocorrer em último caso. “Se fechar, vai faltar alimentos nas gôndolas e a crise será maior ainda”, alertou.

Alinhamento com o governo

Scheffer informou que já manteve conversas com o novo secretário da Casa Civil, Amandio João da Silva Junior, que garantiu que o governador está disposto a se reunir com o setor e buscar um alinhamento. Um documento com as prioridades do setor será preparado pela comissão e encaminhado ao governador.

O gerente executivo do Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado), Jorge de Lima, o presidente da Acav (Associação Catarinense de Avicultura), José Antônio Ribas Júnior, e o presidente da Fetaesc (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina), José Walter Dresch, defenderam a atuação das agroindústrias, lembrando as conquistas de certificados de sanidade animal ao longo de décadas e demonstrando a preocupação com o fechamento de unidades, sem muitas vezes especificarem os motivos. 

Eles também cobraram do governo estadual o compromisso de não publicar portarias sem discutir a questão com o setor. “Temos que evitar a judicialização. Parece que muita gente tem o poder da caneta nas mãos para fechar as unidades”, reclamou Ribas Júnior. Ele lembrou que as agroindústrias exportam para mais 150 países e seguem vários procedimentos de sanidade.

Controle nas agroindústrias

A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Raquel Bittencourt, além de assumir o compromisso que o governo não publicará portaria sem dialogar com o setor, enfatizou por várias vezes que não há decisão de fechamentos de unidades e que a questão é com o enfrentamento ao novo coronavírus.

Ela reconheceu que os frigoríficos se anteciparam na prevenção, mas afirmou que é necessário aprimorar esse controle, dadas as características dos frigoríficos. “As hipóteses de transmissão são grandes, mesmo que seja num ambiente com muitos cuidados de higiene.”

Ela apontou que as indústrias devem aprimorar os cuidados em alguns procedimentos, como a desparamentação do trabalhador (quando ele retira o uniforme e os equipamentos de proteção), o distanciamento no transporte, nas trocas de turno e em todos os ambientes das plantas industriais, entre outras medidas.

A superintendente salientou que o fechamento da unidade em Ipumirim ocorreu por uma decisão de um órgão vinculado ao Ministério da Economia.

Também reforçou que o governador Carlos Moisés já estaria buscando diálogo em Brasília para intermediar e acompanhar essa decisão. Por fim, sentenciou: “o Ministério da Economia tem autonomia de ação e desde o fim de semana estamos em busca de uma harmonização das ações.”

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