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Saúde Coluna Bruna Antunes

Outubro Rosa: O câncer, o emocional e a psicologia

Confira a coluna da psicóloga, Bruna Antunes, desta semana

13/10/2020 17h44 Atualizada há 2 semanas
Por: Bruna Antunes Fonte: Oeste em Foco
Oeste em Foco
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Receber um diagnóstico de câncer remete a pessoa a dar-se conta de sua  finitude, do temor da morte, e da jornada onde pode perder-se se não se sentir forte o suficiente para enfrentar o  medo do sofrimento produzido pela doença e pelo próprio tratamento, que é invasivo e desgastante.

O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização que tem como objetivo principal alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo do útero.

Quando se trata do câncer que atinge áreas como o útero ou mamas, que são consideradas como símbolos de feminilidade, algumas singularidades surgem.  As incertezas em relação ao tratamento e sua eficácia é muito ligada  a possível perda da mama ou do útero que pode trazer extrema insegurança para a mulher, tanto em sua auto estima, quanto em relação ao seu relacionamento conjugal, e afetando suas possíveis expectativas de talvez não poder mais gerar filhos. A mulher pode perde-se nesse sentido, não reconhecendo-se como pessoa feminina, principalmente quando ela tem uma visão rígida do que é ser mulher, na questão ligada ao corpo , no caso a mama e útero.

A isso, agrega-se os efeitos colaterais do tratamento, como mudanças corporais, emagrecimento e queda do cabelo, que fazem com que algumas mulheres evitem até se olhar no espelho, a fim de não se depararem com aquela imagem que remete a uma pessoa doente. 

Como consequência, as mulheres acometidas pelo câncer podem entrar em um quadro de depressão, ansiedade e outras doenças psíquicas, em virtude do adoecimento e do tratamento, que trazem repercussões em vários aspectos da vida da mulher. As vezes o diagnóstico tardio ou a demora para iniciar o tratamento podem fazer com que, não só o quadro clínico se agrave, mas seu sofrimento psíquico também pois elas já estão impactadas emocionalmente e a preocupação em não saber o que as espera, torna o quadro ainda mais causador de ansiedades e por vezes desesperança em uma cura.

A participação da família é fundamental na recuperação das pacientes. E muitas vezes os familiares sofrem até mais que elas, necessitando igualmente de apoio psicológico. O medo de perder alguém querido e as dificuldades  relacionadas ao tratamento, atingem também de uma forma profunda os familiares.

Caberia ao psicólogo, acompanhar a paciente nesse percurso de forma dinâmica em suas intervenções no enfrentamento de tratamentos médicos,. O trabalho parte de um acolhimento inicial, pois a demanda é incerta em um primeiro momento, podendo atravessar  momentos de crise ao adoecer, pois  sua  vida foi de certa forma foi interrompida, exigindo mudanças drásticas de rotina. Por vezes o deslocamento da paciente até outros locais para tratamento e também  a permanência por tempo prolongado no hospital, acarretam ainda mais danos psicológicos, além do cansaço tanto físico como mental. Uma escuta que permite a paciente falar, o que, por si só, já produz efeitos terapêuticos.

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Bruna Antunes
Sobre Bruna Antunes
Bruna Antunes, natural de Descanso, tem 32 anos, é Bacharel em Psicologia pela UNOESC de São Miguel do Oeste e graduada em Administração de Pessoas pela Uniasselvi, e atua como psicóloga do CRAS de São João do Oeste. A coluna objetiva abordar temas relacionados à psicologia de forma clara a fim de agregar conhecimentos e facilitar a interpretação dos leitores. Além disso, Bruna destaca reflexões sobre a importância e os cuidados necessários com a saúde mental.
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