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Mulher que confessou matar grávida em Canelinha pede transferência de prisão após ameaças

Segundo o advogado de defesa, crime revoltou outras detentas que estariam ameaçando a mulher

20/11/2020 18h42
Por: Júnior Recalcati Fonte: Oeste em Foco
Diorgenes Pandini | Diário Catarinense
Diorgenes Pandini | Diário Catarinense

A defesa da mulher que confessou o assassinato de uma gestante para roubar o bebê em Canelinha, na Grande Florianópolis, pediu à Justiça a transferência de presídio após ameaças que estariam ocorrendo contra a detenta, que aguarda julgamento pelo crime. Ela está presa atualmente em Tijucas, cidade vizinha ao município onde morava e cometeu o crime.

Conforme o advogado da mulher, Rodrigo Goulart, agentes de segurança que trabalham no presídio teriam ficado sabendo das ameaças contra a detenta, que está em uma cela isolada, sem contato com as outras presas.

— A acusação dela causa muita repulsa, inclusive de muitas detentas que são mães e tomam a dor pela mulher que faleceu. Falei com o chefe de segurança do presídio e ele garantiu que ninguém encostaria um dedo nela, mas a integridade dela está ameaçada — disse o advogado.

O pedido é para que a mulher seja transferida do presídio de Tijucas para o Complexo Penitenciário da Canhanduba, em Itajaí, que possui mais condições de segurança para esse tipo de situação.

A mulher está presa desde 28 de agosto, dia seguinte ao crime, quando foi detida pela polícia e admitiu o assassinato da grávida com a intenção de ficar com a criança. Desde lá, a mulher ficou detida em vários locais diferentes pelo Estado, passando por Tijucas, Chapecó, Itajaí e Brusque, até voltar para Tijucas onde está atualmente.

Relembre o caso

Flavia Godinho Mafra estava grávida de 36 semanas e desapareceu no dia 27 de agosto, depois de sair de casa de carona para um chá de bebê surpresa. Ela foi encontrada morta no dia seguinte (28) em uma cerâmica de Canelinha, na Grande Florianópolis, com o ventre aberto e sem o bebê.

Duas pessoas foram presas suspeitas de envolvimento com o crime. Segundo a Polícia Civil, uma delas era amiga da vítima, que teria atingido a cabeça da gestante com um tijolo e cortado a barriga dela para retirar o bebê, e a outra era o companheiro da acusada do assassinato.

Após o crime, a mulher teria ido ao hospital de Canelinha e apresentado a criança como filha. Ela alegou ter tido um parto espontâneo com a ajuda de terceiros. A equipe médica, no entanto, constatou que não havia indícios de parto recente na paciente e encaminhou a criança ao Hospital Infantil de Florianópolis, pelo fato de que ela apresentava cortes pelo corpo.

Os suspeitos foram levados à Delegacia de Polícia Civil de Tijucas, onde a mulher contou ter planejado o crime por pelo menos dois meses, quando decidiu que encontraria uma criança para substituir a que havia perdido em janeiro, em um aborto. O marido disse não ter conhecimento sobre os fatos, e chegou a ficar detido até o início de outubro, quando teve a prisão revogada pela Justiça. O bebê sobreviveu e ficou sob os cuidados da família.

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