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Economia

03/01/2019 às 13h34

Júnior Recalcati

São Miguel do Oeste / SC

Aumento de R$ 44 no salário mínimo divide opiniões
Doze pacotes de um quilo de feijão, quatro quilos de pão francês. O que mais é possível comprar com o reajuste anunciado na terça-feira
Aumento de R$ 44 no salário mínimo divide opiniões
Leo Laps | Especial

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou ainda no dia 1º de janeiro o decreto que estabeleceu o salário mínimo para 2019 em R$ 998. O reajuste ficou abaixo do valor aprovado pelo Congresso no ano passado, de R$ 1.006, quando seria a primeira vez que o salário mínimo ficaria acima de R$ 1 mil. O aumento em relação a 2018, quando o valor era R$ 954, foi de R$ 44. A pergunta que não quer calar é: o que é possível comprar com a diferença do reajuste? A reportagem fez um levantamento de como o dinheiro pode ajudar na economia doméstica com itens básicos de consumo, como carne, arroz, feijão, leite, pão, gasolina e passagem de ônibus.


O salário mínimo serve como base para o rendimento de 48 milhões de trabalhadores em todo o país. Em Santa Catarina, vale o piso regional, com valores vigentes entre R$ 1.110 e R$ 1.271. No entanto, a cifra definida pelo governo é importante porque influencia em toda a cadeia de reajustes. O governo federal projeta que cada R$ 1 concedido de aumento deve gerar R$ 300 milhões ao ano nas contas da União. 


A decisão do novo presidente divide opiniões entre os blumenauenses, em especial pela expectativa.


– É muito pouco. Primeiro falaram que o salário iria para R$ 1.006 e agora deram isso (R$ 988). Pelo menos ajuda a pagar uma semana a mais da passagem do ônibus – avalia a aposentada, Erondina Raulino, 56 anos.


Há também quem entenda o movimento do novo governo.


– Não acho que é um aumento significativo, mas no momento é o que o governo pode fazer. Tem que enxugar os gastos – diz a comerciante Edi Schoemherr, 57 anos.


O valor definido foi menor do que o esperado, porque o governo estima que a inflação feche o ano abaixo do previsto, que é de 4,30%. Outro fator que é levado em conta é o crescimento do PIB de 2017, que foi de 1%. Com isso, justifica-se a redução de R$ 8 em relação à expectativa projetada pela equipe de Michel Temer (MDB). Mesmo assim, o novo governo espera recuperar as perdas da inflação e garantir o poder de compra do contribuinte para ajudar a recuperar a economia, ainda que de maneira tímida.


Ano difícil para a economia do país


Para economistas procurados pela reportagem, o ano será difícil para o país. O professor de Economia da Furb, Jamis Paizza, avalia que o aumento deve fazer pouca diferença no orçamento familiar:


– Para quem precisa pagar contas de energia, água e principalmente o combustível, o reajuste não cobre, apenas repõe uma parcela da perda inflacionária. Os aposentados, que é a categoria que recebe esse aumento de maneira direta, em grande maioria ainda têm o gasto adicional com medicamentos, o que é bastante caro – afirma Piazza.


O economista Nazareno Schmoeller, professor da Furb, avalia que a redução no valor do salário mínimo é uma das formas encontradas pelo governo para conter gastos, mas defende que é necessário também cortar na própria carne, com redução dos custos da máquina pública.


– Uma das expectativas que se tem em torno do governo Bolsonaro é a recuperação econômica. Um dos meios de fazer isso é deixar o dinheiro girando, dando poder de compra para o trabalhador – pondera Schmoeller.

FONTE: NSC

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