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Luto: O processo de ressignificação da perda
Falar de luto, nem sempre é fácil, na medida em que nos remete de imediato para a ideia de morte e é inegável, que a grande maioria de nós, tem dificuldade em aceitar a perda e em lidar com a finitude
Bruna Antunes

Bruna AntunesBruna Antunes, natural de Descanso, tem 32 anos, é Bacharel em Psicologia pela UNOESC de São Miguel do Oeste e graduada em Administração de Pessoas pela Uniasselvi, e atua como psicóloga do CRAS de São João do Oeste. A coluna objetiva abordar temas relacionados à psicologia de forma clara a fim de agregar conhecimentos e facilitar a interpretação dos leitores. Além disso, Bruna destaca reflexões sobre a importância e os cuidados necessários com a saúde mental.

17/01/2019 22h43Atualizado há 3 meses
Por: Bruna Antunes
Fonte: Oeste em Foco | Bruna Antunes
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Falar de luto, nem sempre é fácil, na medida em que nos remete de imediato para a ideia de morte e é inegável, que a grande maioria de nós, tem dificuldade em aceitar a perda e em lidar com a finitude. O luto é a reação psicológica que aparece frente a uma perda; a dor emocional de ter perdido algo ou alguém significativo em nossas vidas

No entanto, o luto é vivenciado não apenas perante a morte física de alguém, mas também sempre que ocorre uma perda significativa, uma separação, perda de emprego, mudança de casa, de escola, de emprego, corte de laços. Neste sentido, todas as pessoas têm de lidar com o luto, mais cedo ou mais tarde, podendo fazê-lo de uma forma mais ou menos equilibrada.

Ao contrário do que muitos acreditam, o luto não é um transtorno ou uma doença, mas um processo normal e adaptativo, que é necessário ser vivido para que a dor da perda seja ultrapassada, possibilitando novamente o reinvestimento na realidade.

O processo do luto e a sua duração, variam conforme as características da pessoa enlutada, sua idade, personalidade, fase da vida em que se encontra, bem como a idade da pessoa falecida, a qualidade da relação que existia, a causa de morte (doença prolongada, doença súbita, acidente, suicídio ou outro) e a rede familiar e social existente.

São comuns os estados emocionais de negação, raiva, revolta, tristeza, desespero, confusão e até culpa, no processo do luto. Cada pessoa pode, em momentos diferentes, experimentar todos estes estados ou apenas alguns. Manifestações físicas como alterações do sono e do apetite, perda de energia, dores do corpo ou enfraquecimento do sistema imunitário.

Para um processo de luto ser bem-sucedido é importante serem experimentadas todas as emoções associadas à dor do luto. Quando o luto é finalizado, é possível aceitar a perda e recordar sem haver um sofrimento intenso.

Geralmente, é esperado que durante o primeiro ano após a perda, a pessoa comece a experimentar uma redução gradual da intensidade do desespero e da tristeza, retomando as suas rotinas. Porém, algumas pessoas, não conseguem ultrapassar essa fase, permanecendo fixadas no sofrimento e na tristeza, o que as torna incapazes de prosseguir sua vida, podendo ocorrer quadros de depressão mais graves.

 A psicoterapia poderá ser encarada como uma forma de auxílio nesse processo, pois constitui-se como o espaço no qual a pessoa poderá sentir-se acompanhada e acolhida para expressar e elaborar as suas emoções, organizar os seus pensamentos, enfrentar memórias e desenvolver mecanismos internos que lhe permitam evoluir no processo de luto.

A dor do luto deve ser vivenciada, pois do contrário, uma dor não elaborada pode trazer no futuro outras consequências, como traumas, depressão, ansiedade.

 “A elaboração do luto significa se colocar em contato com o vazio deixado pela perda do que não existe mais, valorizar a sua importância e suportar o sofrimento e a frustração que comporta a sua ausência.’’(Jorge Bucay)

Brunaa Antunes

Psicóloga CRP-12/16964

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