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Brumadinho: Como a psicologia pode ajudar?

Como a psicologia pode ajudar?

Bruna Antunes

Bruna AntunesBruna Antunes, natural de Descanso, tem 32 anos, é Bacharel em Psicologia pela UNOESC de São Miguel do Oeste e graduada em Administração de Pessoas pela Uniasselvi, e atua como psicóloga do CRAS de São João do Oeste. A coluna objetiva abordar temas relacionados à psicologia de forma clara a fim de agregar conhecimentos e facilitar a interpretação dos leitores. Além disso, Bruna destaca reflexões sobre a importância e os cuidados necessários com a saúde mental.

01/02/2019 14h33Atualizado há 5 meses
Por: Bruna Antunes
Fonte: Oeste em Foco | Bruna Antunes
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No último dia 25, o rompimento da barragem de Brumadinho em Minas Gerais, tornou o Brasil mais um alvo de olhares internacionais, em referência a tragédias do tipo, como foi com a barragem de Mariana, anos atrás. Um olhar infeliz e que nos faz pensar sobre a vida e sobre tudo o que possuímos. As dezenas de mortos e desaparecidos, o contexto do local, o comércio, empregos, famílias, vidas, laços, sentimentos, sonhos e esperanças se mesclam em todo esse acontecimento envolvendo toda uma população local comovendo todo um país. A ajuda que vem sendo remetida de outros estados para Minas Gerais, mostra o quão grande ainda é o poder de empatia e ajuda do ser humano. Bombeiros, veterinários, socorristas e voluntários, todos juntos nessa causa.

O CRP - Conselho de psicologia, diante disso tem organizado e pedido ajuda de voluntários para estarem atuando junto as famílias de atingidos. Como a psicologia pode ajudar? A psicologia tem se tornado cada vez mais essencial nas situações de emergências e desastres, considerando que este tema está constantemente presente no cotidiano. 

Segundo Código de Ética Profissional do Psicólogo (2005), de acordo com Art. 1º, referente às responsabilidades deste, é dever fundamental, conforme item 

d) “prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência, sem visar benefício pessoal”. 

As pessoas são diferentes e respondem de formas diferentes; alguns sentimentos, possivelmente, nunca tinham sido experimentados; o que aconteceu será parte da vida e da memória para sempre, a diferença é que eles não precisam causar um trauma permanente na vida da pessoa.

Em uma situação de desastre as pessoas acabam perdendo elementos que fazem parte de sua história, como: casa, meio de trabalho, documentos, familiares, pessoas conhecidas, animais, dentre outros, e essas perdas vão provocar uma mudança em suas vidas, alterando seu modo de estar e ser em sociedade. É aqui que a Psicologia age, pois sua intervenção está em restaurar e aumentar a capacidade adaptativa do indivíduo. Para alcançar isto, deve-se oferecer oportunidade para as vítimas utilizarem a ajuda e apoio da família e comunidade, assim como esclarecer sobre perspectivas futuras e proporcionar um alicerce, com intuito de se organizarem psiquicamente perante o evento, pois a intervenção psicológica procura reduzir o stress agudo por meio de instigar o indivíduo a restaurar sua dominância sobre as reações emocionais e também proporcionar que ele reconheça racionalmente o evento ocorrido.

Pode ocorrer de o profissional também ter que auxiliar a equipe (de saúde ou segurança) porque eles também podem ter reações negativas ao que estiver acontecendo, assim como o próprio profissional da psicologia, para isso é necessário que ele também tenha um preparo específico para lidar com situações de extrema tensão, da melhor forma possível. Apesar de serem profissionais qualificados, ninguém está imune de sofrer uma crise.

Bruna Antunes

CRP-12/16964

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