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15/03/2019 às 12h36 - atualizada em 16/03/2019 às 09h11

Júnior Recalcati

São Miguel do Oeste / SC

Adolescente suspeito de participar de planejamento do massacre de escola de Suzano se apresenta à Justiça
Rapaz de 17 anos também é ex-aluno da escola e teria colaborado com a elaboração dos crimes.
Adolescente suspeito de participar de planejamento do massacre de escola de Suzano se apresenta à Justiça
TV Globo | Reprodução

O adolescente de 17 anos, que teria participado do planejamento do massacre da escola de Suzano (SP), chegou ao Fórum da cidade por volta das 10h50 desta sexta-feira (15). De acordo com a polícia, ele também é ex-aluno da Escola Estadual Raul Brasil e foi colega de classe de um dos assassinos.


No Fórum, o menor começou a ser ouvido pelo promotor da Vara da Infância e Juventude. Depois, ele vai para a sala de audiência de apresentação (não é de custódia).


A partir daí, a juíza Érika Marcelina Cruz pode determinar a internação imediata ou o acompanhamento assistido.


O rapaz está acompanhado da mãe e ainda não tem advogado. Ele chegou ao fórum acompanhado pela polícia por medida de segurança.


Na tarde desta quinta-feira (14), o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, afirmou que tinha pedido à Justiça a apreensão do jovem e aguardava decisão da Vara da Infância e Juventude.


Segundo a polícia, o material relacionado à participação do adolescente já tinha sido recolhido pelos investigadores.


O dono do estacionamento onde os assassinos guardaram o carro alugado para esconder as armas teria informado para a polícia sobre a participação de uma terceira pessoa, segundo o delegado.


"Ainda não confirmamos a informação, estamos submetendo a fotografia do adolescente ao responsável pelo estacionamento para confirmar. Temos outros dados que fazem crer que esse indivíduo participou pelo menos da fase de planejamento."


Os assassinos Guilherme T. Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, mataram sete pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, na quarta-feira (13). Um deles baleou e matou o próprio tio, em uma loja de automóveis.


A investigação aponta que, depois do ataque na escola, um dos assassinos matou o comparsa e, em seguida, se suicidou. A polícia diz que os dois tinham um "pacto", segundo o qual cometeriam o crime e depois se suicidariam.


Motivação


De acordo com Fontes, a investigação aponta que os autores do massacre esperavam reconhecimento : "Esse foi o principal objetivo, não tinha outro", diz delegado Ruy Ferraz Fontes.


"Não se sentiam reconhecidos, queriam demonstrar que podiam agir como [o massacre em] Columbine, nos Estados Unidos, com crueldade e com um caráter trágico, para que fossem mais reconhecidos do que eles eram", afirmou.


Tal informação foi relatada à polícia por testemunhas próximas de um dos assassinos . "Pessoas que estavam próximas dele e obtiveram essa informação diretamente dele".


Para o delegado, a questão do bullying é pouco representativa, pois foi citada em apenas uma parte da investigação. A polícia trabalha com a questão do reconhecimento e vingança na motivação da morte do tio.


"Na realidade, ele estava se sentido não reconhecido pelo tio, apesar de o tio ter contratado ele para trabalhar na empresa, mas ter que demitir posteriormente, porque ele estava praticando pequenos furtos", explicou o delegado Fontes.


Segundo a polícia, a investigação indica que eles não pretendiam fazer ataques em outras escolas. "Todo material colhido não demonstra que eles fariam ou tentariam fazer outros ataques em outras escolas", afirmou.


Organização criminosa


Fontes também informaram que ainda não há nenhuma relação direta com a "deep web".


"No momento não vamos revelar como era feita a comunicação [entre os criminosos]. O que posso indicar é que a maioria das conversas deles eram pessoais, travaram poucas conversas através da internet. Não tenho nenhuma evidência, até o presente momento, de que eles estivessem consultando a 'deep web', para poder ter material suficiente para executar o que executaram", disse o delegado Fontes.


O Ministério Público (MP) apura se uma organização criminosa na internet está por trás do massacre na Escola Estadual Raul Brasil em Suzano. Outras linhas de investigação também são verificadas.


Um promotor do júri e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ambos do MP, querem saber se os assassinos foram incitados ao crime por membros de um fórum na "deep web", um segmento da internet que não pode ser encontrado por buscadores como o Google e onde podem estar redes e sistemas anônimos (entenda o que é "deep web").


O MP atuará diretamente com ao Polícia Civil, que já investiga o caso e busca saber qual foi a motivação do crime. Se os órgãos apontarem alguém que tenha incitado os assassinos a cometerem o crime, essa pessoa ou grupo de pessoas poderão responder por organização criminosa ou até por participação na chacina.

FONTE: G1

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