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Maioria das vítimas de feminicídio em SC não denunciou violência doméstica

Em comparação com 2020, 4.834 mulheres a mais foram vítimas de ameaça, calúnia, injúria, difamação, estupro, lesão corporal dolosa ou de vias de fato em 2021

19/01/2022 às 11h50 Atualizada em 20/01/2022 às 18h58
Por: Júnior Recalcati Fonte: Diário Catarinense
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Cristiano Estrela | Secom
Cristiano Estrela | Secom

A maioria das mulheres vítimas de feminicídio em Santa Catarina não tinha feito denúncias por violência doméstica. Os números do balanço da criminalidade do Estado de 2021, divulgados nesta terça-feira (18), revelam que 82% das mulheres mortas estão nesta estatística, sem denúncias prévias ao assassinato.

O levantamento registrou 55 feminicídios em 2021. Uma das vítimas foi Deniza Soares Kukul, de 29 anos, mãe de dois filhos e morta com um canivete pelo marido, em frente à mãe, na volta de uma viagem em família. O crime aconteceu em Blumenau, no dia 28 de novembro. O homem foi preso quatro dias depois.

Apesar do ano que passou ter tido dois assassinatos de mulheres a menos que 2020, quando 57 sofreram feminicídio, a taxa de violência doméstica cresceu em 6,5% em 2021. Isso significa que 4.834 mulheres a mais foram vítimas ou de ameaça, calúnia, injúria, difamação, estupro, lesão corporal dolosa e vias de fato. 

Os dados de violência doméstica são registrados desde 2019, mas em 2021, 67.270 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência por pessoas que elas conheciam. Foi o maior número registrado em três anos. 

Para a coordenadora das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcamis), delegada Patrícia Zimmermann D’Ávila, é na investigação do assassinato de uma mulher por uma pessoa próxima, que muitas vezes se descobre que ela sofria algum tipo de violência. 

— O nosso problema é que existe muita subnotificação, por uma série de motivos, por dependência financeira e emocional, por exemplo. Na investigação a gente acaba descobrindo que ela vinha sofrendo agressões e ameaças e não pediu ajuda. São muitos casos de mulheres que não denunciam — fala a coordenadora.

Foi o caso de uma mulher de 30 anos, que foi salva pela mãe, que denunciou que a filha era repetidamente espancada pelo namorado. O caso chocante de tortura aconteceu em Blumenau e foi descoberto pela polícia no início de janeiro. O ex-companheiro ameaçava a vítima e seus filhos, para tentar impedir que ela pedisse socorro. Em uma operação, o homem foi preso.

Segundo a delegada, quanto maior o número de registros de violência doméstica, menor o número de ocorrências de feminicídio. 

— Quando as mulheres notificam antes, interrompe o ciclo da violência no início. A violência começa de forma sutil, com censura e descontrole. Mas quando ela denuncia, isso não vira em feminicídio. Sempre que a gente vê um aumento desses caso de violência doméstica, isso significa que haverá menos feminicídios — explicou a delegada. 

O levantamento apontou que 82% dos homens que cometem feminicídio estão vivos. Destes, 11% estão foragidos e o restante foi preso em flagrante. 

Violências mais comuns contra a mulher são difamação e ameaça

Mais da metade das mulheres que sofreu violência doméstica em Santa Catarina, cerca de 53%, são vítimas de crimes contra a honra ou ameaças em 2021. Em seguida, ficam os crimes de estupro e vias de fato, ambos com 17,4%. Por último estão os registros de lesão corporal dolosa, com 12% das denúncias.

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