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Coluna Bruna Antunes

18 de maio: Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Em 1973 um crime bárbaro chocou o Brasil. Seu desfecho escandaloso seria um símbolo de toda a violência que se comete contra as crianças

Bruna Antunes

Bruna AntunesBruna Antunes, natural de Descanso, tem 32 anos, é Bacharel em Psicologia pela UNOESC de São Miguel do Oeste e graduada em Administração de Pessoas pela Uniasselvi, e atua como psicóloga do CRAS de São João do Oeste. A coluna objetiva abordar temas relacionados à psicologia de forma clara a fim de agregar conhecimentos e facilitar a interpretação dos leitores. Além disso, Bruna destaca reflexões sobre a importância e os cuidados necessários com a saúde mental.

10/05/2019 07h26Atualizado há 2 meses
Por: Bruna Antunes
Fonte: Oeste em Foco
Oeste em Foco
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Em 1973 um crime bárbaro chocou o Brasil. Seu desfecho escandaloso seria um símbolo de toda a violência que se comete contra as crianças.

Com apenas oito anos de idade, Araceli Cabrera Sanches foi sequestrada em 18 de maio de 1973. Ela foi drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. O caso foi tomando espaço na mídia. Mesmo com o trágico aparecimento de seu corpo, desfigurado por ácido, em uma movimentada rua da cidade de Vitória (ES), poucos foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.

 A data da morte de Araceli, é lembrada hoje, como o “18 de maio- Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” A campanha tem como símbolo uma flor, como uma lembrança dos desenhos da primeira infância, além de associar a fragilidade de uma flor com a de uma criança. O desenho também tem como objetivo proporcionar maior proximidade e identificação junto à sociedade, proximidade e identificação com a causa.

O abuso sexual infantil não precisa necessariamente incluir contato físico entre um agressor e uma criança. Algumas formas de abuso sexual infantil incluem:

*Exibicionismo, ou expondo-se a um menor;

*Carícias;

*Relação sexual (estupro);

*Masturbação na presença de um menor ou forçando o menor a se masturbar;

*Chamadas telefônicas obscenas, mensagens de texto ou interação digital;

*Produzir, possuir ou compartilhar imagens pornográficas ou filmes de crianças;

*Sexo (estupro) de qualquer tipo com menor, incluindo vaginal, oral ou anal.;

*Tráfico sexual;

*Qualquer outra conduta sexual prejudicial ao bem-estar mental, emocional ou físico de uma criança;

A maioria dos abusadores é alguém que a criança ou a família conhecem . Eles podem ter algum relacionamento, ou seja, fazem parte do cotidiano da criança.   

Os abusadores podem manipular as vítimas para ficarem quietas sobre o abuso sexual usando uma série de táticas diferentes. Muitas vezes, um abusador usará sua posição de poder sobre a vítima para coagir ou intimidar a criança. Geralmente eles pedem que o fato fique em segredo, e fazem ameaças para a criança, dizendo que se ela contar a alguém o que aconteceu, ela mesma será prejudicada, por exemplo :“se você contar isso pra sua mãe, ela ficará muito triste e irá te colocar de castigo”. Eles podem dizer à criança que é uma atividade normal ou que a criança irá gostar, que irá fazer bem a ela

O abuso sexual infantil nem sempre é fácil de detectar. Como o abusador pode ser alguém que a criança conhece há muito tempo ou confia, pode se tornar ainda mais difícil descobrir o crime. Considere os seguintes sinais de alerta:

• Hemorragia, hematomas ou inchaço na área genital

• Roupa íntima sangrenta, rasgada ou manchada

• Dificuldade em andar ou sentar-se

• Infecções urinárias ou de fungos frequentes

• Dor, coceira ou queimação na área genital

• Mudanças na higiene, como recusar a tomar banho ou tomar banho excessivamente

• Desenvolvimento de fobias

• Exibe sinais de depressão ou transtorno de estresse pós-traumático

• Exprime pensamentos suicidas, especialmente em adolescentes

• Tem problemas na escola, como ausências ou quedas nas notas

• Conhecimento ou comportamentos sexuais inadequados

• Pesadelos ou xixi na cama

• Excessivamente protetora e preocupada com os irmãos, ou assume um papel de guarda

• Retorna a comportamentos regressivos, como chupar o dedo

• Prefere ficar longe de casa ou da escola

• Reduz-se ou parece ameaçado por contato físico

Portanto é fundamental que os adultos sejam responsáveis e atentos as suas crianças, e a única forma efetiva de proteção é a informação, a atenção aos sinais e a denúncia Os danos causados por esse trauma, podem ser irreversíveis, deixando marcas pra vida inteira.

Bruna Antunes, psicóloga CRP-12/16964

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