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Metade das adoções realizadas em 2018, em Chapecó, é de grupo de irmãos

Atualmente, na maior comarca do Oeste, há 71 crianças ou adolescentes, que residem nos serviços de acolhimento (instituição de acolhimento, casas lares ou famílias acolhedoras)

22/05/2019 21h24
Por: Júnior Recalcati
Fonte: Oeste em Foco
Divulgação
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Depois de muito tentar uma gestação natural e enfrentar a decepção de três fertilizações invitro mal sucedidas, o empresário Luciano Gabbiartti e a engenheira civil Ivone Bampi optaram pela adoção. Decididos, procuraram o setor de Serviço Social e Psicologia do fórum da Comarca de Chapecó em busca de duas crianças com idade de até cinco anos. Em menos de dois anos, a família estava “perfeita e completa” como Ivone define a convivência dos quatro.

Com um ano e dois meses de diferença entre os irmãos, Leonardo e Isadora, hoje com 11 e 10 anos respectivamente, são educados com muito diálogo e também são cobrados pelas responsabilidades que necessitam cumprir. “Desde o começo deixamos claras as regras. Colocamos uma ‘pedra no passado’ e iniciamos a nossa história a partir do momento que entraram em nossas vidas”, lembra o pai. Aliás, os nomes foram as próprias crianças que escolheram.

Hoje, cinco anos depois da formação desta família, Ivone reconhece as dificuldades que tiveram. Embora a adaptação tenha sido muito rápida, em menos de uma semana os quatro estavam certos de que queriam ficar todos juntos, todos precisavam aprender a conviver um com o outro na nova realidade. “As coincidências da vida nos surpreendem. Isadora faz aniversário no mesmo dia que eu. Desentendimentos e alegrias existem como em qualquer outra família. Não há mais como imaginar nossa vida sem nossos filhos”, conta Ivone. Quando questionados sobre o que mais gostam nesta família, Isadora é enfática: “Tudo!”.

Adoção tardia

Dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina apontam uma média de cinco anos de espera para receber a criança desejada. Na comarca de Chapecó, esse tempo é de sete anos. De acordo com a assistente social do fórum, Ângela Daltoé Tregnago, o diferencial da região é o alto número de pessoas que se habilita à adoção, o que aumenta o período de espera, pois há mais pessoas cadastradas. Em contrapartida, causa uma ampliação na aceitação pela adoção tardia, pois os pretendentes buscam reduzir essa espera com a ampliação do perfil desejado. É chamada de adoção tardia a que envolve crianças com mais de três anos de idade.  “Atualmente, temos 165 pretendentes à adoção. E destes, 100 buscam crianças e/ou adolescentes nessa faixa etária”, relata. 

De acordo com Ângela, isso acontece pelo longo tempo que o casal se dedica a tentativas frustradas de ter filhos biológicos e quando decidem pela adoção estão em outra fase da vida que limita os cuidados com um bebê. Conforme vão passando os anos de espera, acabam ampliando o perfil para até cinco anos de idade, geralmente.

Grupo de irmãos

Outra característica especial do Oeste são as adoções de grupos de irmãos. Aliás, adoção tardia quase sempre está relacionada a irmãos. Só neste ano, a comarca efetivou a adoção de dois grupos de irmãos com quatro crianças e adolescentes cada um. “A prioridade é sempre manter os irmãos juntos. Depois partimos para uma adoção conjunta em que duas famílias, por exemplo, se comprometam em oportunizar o contato entre as crianças”, explica Ângela.

A assistente social destaca que é importante o casal ou pessoa pensar na composição familiar que deseja antes de solicitar a adoção porque é possível manifestar a vontade de receber mais de uma criança desde o processo de habilitação e o encaminhamento será direcionado para esse perfil. “Priorizamos manter juntos os irmãos mais ‘apegados’ um com o outro. Isso facilita a adaptação com a nova família”, ressalta.

Em 2017, o setor de Serviço Social e Psicologia do fórum da Comarca de Chapecó efetuou cinco adoções de grupos de irmãos com idades entre três anos e 11 anos. Em 2018, o número também é satisfatório. Foram dois grupos com quatro irmãos cada, outro trio de irmãos e uma dupla de irmãos.             

Crianças e adolescentes aptos

Atualmente, na maior comarca do Oeste, há 71 crianças ou adolescentes, que residem nos serviços de acolhimento (instituição de acolhimento, casas lares ou famílias acolhedoras). Destes, 12 crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção, sendo: um menino tem sete anos de idade (pessoa com deficiência); uma menina tem três anos e faz parte de um grupo de irmãos adolescentes com problemas de saúde; um menino de nove anos (sem irmãos) e outros nove adolescentes com mais de 11 anos (alguns compõem grupos de irmãos). 

“A prioridade é sempre colocar a criança novamente na família biológica. E, na maioria dos casos, conseguimos mudanças importantes e necessárias para a saúde e bem-estar da criança. No entanto, quando a criança é retirada da família, as demais pessoas continuarão vivendo em situação inadequada e, quase sempre, nascem outras crianças. Isso demonstra que é preciso ampliar os investimentos de políticas públicas nestas famílias para que elas consigam mudar sua condição e não exponham os filhos ou outros membros às mesmas violações", avalia Ângela.

Como adotar

O processo de adoção é considerado simples. Homens e mulheres maiores de 18 anos, independentemente do estado civil podem ser pais adotivos, desde que regularmente habilitados na comarca de residência. Para ingressar com a ação de habilitação não é necessário encaminhamento via advogado, somente levar diretamente no setor competente do fórum os documentos pessoais da pessoa interessada ou do casal como comprovantes de renda e residência, atestado de sanidade física e mental, certidão de antecedentes cíveis e criminais e requerimento dirigido ao Juizado da Infância e Juventude da comarca. Em seguida, o pretendente é incluído no Curso Preparatório de Pretendentes à Adoção que é obrigatório e gratuito. São 16 horas em que são abordados aspectos jurídicos, sociais e psicológicos da adoção para esclarecer dúvidas. 

Depois são realizadas avaliações sociais e psicológicas para apurar a condição socioeconômica e psicológica da família. Encerrado o processo judicial, os pretendentes serão incluídos no Cadastro Nacional de Adoção. A partir desse momento, e enquanto esperam ser chamados, se recomenda que os pretendentes se preparem e busquem suporte na psicoterapia (particular ou nos serviços públicos de saúde) e também por meio dos Grupos de Apoio à Adoção, formados por voluntários e pretendentes em diversas comarcas. 

O psicólogo William Kertischka Batista de Lima é voluntário para acompanhar o grupo de apoio à adoção tardia que acontece na comarca de Chapecó. Ele lembra que é importante que o(s) pretendente(s) à adoção estejam seguros sobre a impossibilidade de gestação natural que é a motivação da maioria das pessoas que buscam a adoção. Isso é necessário para que as questões pessoais não interfiram na construção do vínculo afetivo. “Quanto menor a expectativa dos futuros pais, mais fácil será a recepção da criança que, muitas vezes, testa os limites emocionais dos pais, inconscientemente, para ter certeza que não será devolvida em momentos de dificuldades”, sugere o profissional.

25 de maio

Todos os anos, o dia 25 de maio nos convida ao debate sobre um dos princípios mais importantes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): o direito da convivência familiar e comunitária com dignidade. O Dia da Adoção foi reconhecido oficialmente no Brasil a partir do decreto de lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002.

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